19 de jul. de 2013

Classificação das Lesões

Ao atingirem o organismo, as agressões comprometem um tecido (ou órgão) no qual existem: células, parenquimatosas e do estroma; componentes intercelulares, interstício ou matriz extracelular; circulação sanguínea e linfática; inervação. Após agressões, um ou mais desses componentes podem ser afetados, simultaneamente ou não. Desse modo, podem surgir lesões celulares, danos ao interstício, transtornos locais de circulação, distúrbios locais da inervação ou alterações complexas que envolvem muitos dos componentes teciduais ou todos eles.
As lesões celulares podem ser consideradas em dois grupos: lesões letais e não-letais. As lesões não-letais são aquelas em que as células continuam vivas, podendo ocorrer volta ao estado de normalidade após cessada a agressão, bem como ao estado funcional ou tipo de célula atingida. As lesões letais são representadas pela necrose (morte celular seguida da autólise) e pela apoptose (morte celular não seguida de autólise).
As alterações do interstício (da matriz extracelular) englobam as modificações da substância fundamental amorfa e das fibras elásticas, colágenas e reticulares, que podem sofrer alterações estruturais e depósitos de substâncias formadas in situ ou vindas da circulação.
Os distúrbios de circulação incluem: aumento, diminuição ou cessação do fluxo sanguíneo para os tecidos (hiperemia, oligoemia e isquemia), coagulação do sangue no leito vascular (trombose), aparecimento na circulação de substâncias que não se misturam ao sangue e causam oclusão vascular (embolia), saída do leito vascular (hemorragia) e alterações das trocas de líquidos entre o plasma e o interstício (edema).
As alterações da inervação não tem sido abordadas nos textos de Patologia Geral, mas, sem dúvida, devem representar lesões importantes, devido ao papel integrador de funções que tecido nervoso exerce.
A lesão mais complexa que envolve todos os componentes teciduais é a inflamação (cenas para os próximos capítulos (; ).

Bogliolo, Luigi, 1908-1981
Bgliolo, patologia geral / [editado por] Geraldo Brasileiro Filho. - 4.ed - Rio de janeiro: Guanabara Koogan, 2009.

Laís de Souza e Silva



18 de jul. de 2013

Lesão

Lesão ou processo patológico é um conjunto de alterações morfológicas, moleculares e/ou funcionais que surgem nas células ou tecidos após agressões. As alterações morfológicas que caracterizam as lesões podem ser observadas com a vista desarmada (alterações macroscópicas) ou ao microscópio de luz ou eletrônico (alterações microscópicas e submicroscópicas). As alterações morfológicas, que muitas vezes se traduzem rapidamente em modificações moleculares, podem ser detectadas por métodos bioquímicos e de biologia molecular. Os transtornos funcionais manifestam-se por alterações da função de células, tecidos, órgãos ou sistemas e representam os fenômenos fisiopatológicos.
As lesões são dinâmicas: começam, evoluem e tendem para a cura ou para cronicidade. O alvo dos agentes agressores são as moléculas, especialmente as macromoléculas de cuja ação dependem as funções vitais. Portanto, toda lesão se inicia no nível molecular. As alterações morfológicas celulares surgem em consequência de modificações na estrutura das membranas, do citoesqueleto e de outros componentes, além do acúmulo de substâncias nos espaços intercelulares.
A ação dos agentes agressores, qualquer que seja a sua natureza, se faz basicamente por dois mecanismos:

  • Ação direta, por meio de alterações moleculares que se traduzem em modificações morfológicas
  • Ação indireta, através de mecanismos de adaptação que, ao serem acionadas para neutralizar ou eliminar a agressão, induzem alterações moleculares que resultam em alterações morfológicas.
Desse modo, os mecanismos de defesa, quando acionados, podem também gerar lesão organismo. Isso é compreensível, uma vez que os mecanismos defensivos em geral são destinados a destruir invasores vivos, os quais são formados por células semelhantes às dos tecidos; o mesmo mecanismo que lesa um invasor vivo é potencialmente capaz de também lesar as células do organismo invadido.
Toda agressão gera estímulos que induzem, nos tecidos, respostas adaptativas que visam torná-los mais resistente às agressões subsequentes.

Bogliolo, Luigi, 1908-1981
Bgliolo, patologia geral / [editado por] Geraldo Brasileiro Filho. - 4.ed - Rio de janeiro: Guanabara Koogan, 2009.

Laís de Souza e Silva



17 de jul. de 2013

Elementos de uma Doença e Divisões da Patologia

Todas as doenças têm causa (ou causas) que age(m) por determinados mecanismos, os quais produzem alterações morfológicas e/ou moleculares nos tecidos, que resultam em alterações funcionais no organismo ou em parte dele, produzindo manifestações subjetivas (sintomas) ou objetivas (sinais). A Patologia cuida dos aspectos de Etiologia (estudo das causas), Patogênese (estudo dos mecanismos), Anatomia Patológica (estudo das alterações morfológicas nos tecidos que, em conjunto, recebem o nome de lesões) e Fisiopatologia (estudo das alterações funcionais dos órgãos e sistemas afetados). O estudo dos sinais e sintomas das doenças é objeto da Propedêutica ou Semiologia, cuja finalidade é fazer seu diagnóstico, a partir do qual se estabelecem o prognóstico, o tratamento e a prevenção.
Diferentes doenças têm componentes comuns, considerando este aspecto a Patologia pode ser divida em dois grandes ramos: A Patologia Geral estuda os aspectos comuns às diferentes doenças no que se refere às suas causas, mecanismos patognéticos, lesões estruturais e alterações da função, fazendo parte do currículo de todos os cursos das áreas de Ciências Biológicas e da Saúde. Já a Patologia Especial se ocupa das doenças de um determinado órgãos ou sistema ou estuda as doenças agrupadas por suas causas. Dentro dessa abrangência, tem-se a Patologia Médica, a Patologia Veterinária e a Patologia Odontológica.

Bogliolo, Luigi, 1908-1981
Bgliolo, patologia geral / [editado por] Geraldo Brasileiro Filho. - 4.ed - Rio de janeiro: Guanabara Koogan, 2009.


Laís de Souza e Silva


16 de jul. de 2013

Saúde e Doença

Os conceitos de Patologia e Medicina convergem para um elemento comum, que é a doença. A definição de doença pode ser entendida a partir do conceito biológico de adaptação, que é uma propriedade geral dos seres vivos representada pela capacidade de ser sensível às variações do meio ambiente (irritabilidade) e de produzir respostas (variações bioquímicas e fisiológicas) capazes de adaptá-los. Essa capacidade é variável em diferentes espécies animais e em diferentes indivíduos de uma mesma espécie, pois depende de mecanismos moleculares vinculados, direta ou indiretamente, ao patrimônio genético.
Pode-se definir saúde como um estado de adaptação do organismo ao ambiente físico, psíquico ou social em que vive, de modo que o indivíduo se sente bem (saúde objetiva). Ao contrário, doença é um estado de falta de adaptação ao ambiente físico, psíquico ou social, no qual o indivíduo se sente mal (sintomas e/ou apresenta alterações orgânicas evidenciáveis (sinais).
Saúde e normalidade não tem o mesmo significado. A palavra saúde é utilizada em relação ao indivíduo, enquanto o termo normalidade (normal) é utilizado em relação a parâmetros de parte estrutural ou funcional do organismo. O normal ou anormal é estabelecido a partir da média de várias observações de determinado parâmetro, utilizando-se, para seu cálculo, métodos estatísticos, estabelecidos a partir de observações de populações homogêneas, de mesma raça, vivendo em ambientes semelhantes e cujo indivíduos são saudáveis dentro do conceito enunciado anteriormente.

Bogliolo, Luigi, 1908-1981
Bgliolo, patologia geral / [editado por] Geraldo Brasileiro Filho. - 4.ed - Rio de janeiro: Guanabara Koogan, 2009.

Laís de Souza e Silva

15 de jul. de 2013

Patologia: Etimologia

Etimologicamente, o termo Patologia significa estudo das doenças (do gr.phatos = doença, e logos = estudo, doutrina). No entanto, é preciso considerar que o conceito de Patologia não abrange, todos os aspectos das doenças, que são muito numeroso e poderiam confundir Patologia Humana com a Medicina. Esta, sim, aborda todos os elementos ou componentes das doenças em relação com os doentes. Na verdade, a Medicina é arte e a ciência de promover saúde e prevenir, curar ou minorar os sofrimentos produzidos pelas doenças. 
De modo prático, a Patologia pode ser entendida como a ciência que estuda as causas das doenças, os mecanismos que as produzem, os locais onde ocorrem e as alterações morfológicas e funcionais que apresentam. Tratando desses aspectos, a Patologia fornece as bases para o entendimento de outros elementos essenciais das doenças, como as manifestações clínicas, diagnóstico, evolução e prognóstico. Nesse contexto, portanto, a Patologia é uma parte de um todo maio que é a Medicina.

Bogliolo, Luigi, 1908-1981
Bgliolo, patologia geral / [editado por] Geraldo Brasileiro Filho. - 4.ed - Rio de janeiro: Guanabara Koogan, 2009.

Laís de Souza e Silva